Quinta-feira, Fevereiro 18, 2010

METODOLOGIA




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Luiz Alberto Machado


A dificuldade encontrada por universitários de graduação e pós-graduação para a realização de trabalhos acadêmicos advém da cultura brasileira da não promoção da leitura e, muito menos ainda, da pesquisa.
Como a tônica da sobrevivência se sobrepõe a toda atividade intelectual necessária, aliada a falta de tempo, de organização das idéias e de dedicação à concentração lógica para definição de metas e objetivos para estudos regulares, a formação da pessoa fica em terceira, quarta ou na última opção do brasileiro, vez que, logo após a necessidade de encher a barriga e de pagar as contas em dia, estão o lazer, a vestimenta, a higiene, o carro novo, a mobília, o conforto, a vaidade e o ócio, não necessariamente nesta ordem, nem tampouco apenas isso – havendo, inclusive, se numa folga financeira a casa de praia, a academia, o cachorro, o clube, as festas, a aposentadoria e a integral dedicação profissional levada na base de workaholic por intuição e criatividade. Isso só confirma que no Brasil tem muito intelectual de sovaco que recheiam estantes e mais estantes de livros que nunca foram nem serão abertos, ou que servem, apenas, de apêndice nas axilas para deixar a impressão enganosa de que o sujeito ler, é informado e está na onda, quando no máximo folheia jornais e revistas da hora, se muito e quando se dão ao trabalho.
Pois é, a formação intelectual vem sempre depois de tudo isso. Pudera, coisas do Brasil.
A ausência de livros e leituras por parte dos pais e famílias, aliada ao modelo educacional de nível fundamental e médio que prepara tão somente para o vestibular que nada prova, bem como a função da faculdade e da universidade tão somente voltada na quantificação de diplomados – na rede privada de Ensino Superior o que se promove é a comercialização dos diplomas, ou seja, pagou, passou; na pública, tão sucateada de décadas, o desestímulo é reinante e tudo é levado com a barriga. Tudo isso sem contar com o descrédito do diplomado quando se requer dele uma mínima redação de solicitação de emprego, onde a tragédia se denuncia para lá de calamitosa. Afora os exemplos hilariantes das respostas dos ENEMs da vida e de outras mais folclóricas atitudes e comportamentos encontrados no dia a dia quando se defronta com alguém de anel no dedo e birôzado nas mais diversas instituições da Administração Pública.
É consenso, inclusive, admitir que o problema da formação do brasileiro está articulado com uma série de outros problemas de ordem social, econômica, cultural, psicológica e, evidentemente, educacional. A falta de oportunidade e acesso à educação, para mim, é um dos mais gritantes problemas, conjugando-se com a desigualdade social, a exclusão, o preço do livro e da mensalidade escolar, a ausência de políticas públicas eficientes e eficazes, o não compromisso com a erradicação do analfabetismo, a proposta quantificadora de inclusão educacional, a má formação dos docentes, a má gestão escolar e a promoção da mediocridade, são alguns dos outros tantos fatores que contribuem tanto para o emburrecimento, como para o alheiamento – senão alienação – na verdadeira realidade brasileira.
Da minha parte sempre trago a crença de que se der oportunidade ao brasileiro para estudar, pesquisar, ler e raciocinar, indubitavelmente que ele fará desta Nação tupiniquim a mais promissora de todas do planeta.
Em razão disso, tentando modestamente contribuir para a elucidação acerca da elaboração do trabalho acadêmico e da prática da pesquisa, faço esta simples abordagem visando, tão somente, desmistificar a traumática experiência estudantil que é a de realizar qualquer trabalho de pesquisa, principalmente o de conclusão de curso.

O ESTUDO, A PESQUISA E O TRABALHO – Tudo na vida requer planejamento e disciplina. Seja para comprar um carro, para ir a uma festa ou realizar quaisquer coisas que envolvam mudar ou transformar a vida de quem quer que seja.
Ninguém sai para comprar um carro só com a cara e a coragem. Ninguém vai a uma festa do jeito que lhe aprouver. Tudo requer uma parada, uma pensada, um encontro de contas ou um foco de interesse.
Por outro lado, a vida não é só um jogo de xadrez, mas como se fosse. Se não houver planejamento de raciocínio, armação de estratégias e racionais atitudes táticas, ninguém vence o jogo, tendo o desprazer de ser o perdedor a todo instante. E ninguém quer perder. Mas, ganhar por ganhar, não tem graça. Ganhar pelo chute, pelo palpite ou pela sorte, é coisa de instantes. Pode até ganhar assim duas, três ou muitas vezes. Sorte é uma coisa inexplicável. Contudo, para ganhar sempre e racionalmente, só se planejando e disciplinando as atividades.
Sabe-se que tem muita gente que não sabe nem o que perguntar quando não entende algo, mantendo-se no Complexo de Lagartixa e levando a vida, como se diz no popular, nas coxas. Ou na maciota. Afinal, existe o jeitinho brasileiro para quê mesmo, hem?
Entretanto, esta louvada criatividade brasileira é responsável por um dos maiores orgulhos de nossa gente e, ao mesmo tempo, a sua maior fatalidade. Se o individuo é um ótimo jogador, não será ele sozinho que fará o Brasil ser campeão no futebol. Um campeonato se ganha com planejamento, disciplina, estratégia e conjunto. Isso confirma Paulo Freire: “Ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho; os homens se libertam em comunhão”.
No caso especifico do estudo, pesquisa e expressão acadêmica, o planejamento e a disciplina são indispensáveis. Vejamos.

PLANEJAMENTO – Aonde você quer chegar? O que você quer da vida?
Tem uma propaganda televisiva da TV Futura que diz: que não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas. No Brasil isso é mais que sintomático: todo mundo tem resposta para tudo na base da criatividade do jeitinho brasileiro. E isso porque se não se planeja, deixa tudo para a última hora e seja o que Deus quiser. No final, na base do arrumadinho e do vamos ver, do jeito que ficar, deu certo – mesmo que dê tudo errado. Lavou, está novo. Bola pra frente, partir pra outra. Afinal, diz-se comumente: entre mortos e feridos escaparam todos. Ou: pior seria se pior fosse. Esta é a lei da conformação. Porém, se partiu para dar certo o seu intento, tem que planejar. E planejar requer concentração, visualização prévia de todos os caminhos e resultados. Trocando em miúdos: se o objetivo é realizar um quadro para uma exposição de artes plásticas, é preciso se concentrar na tela branca que está no cavalete imóvel e projetar a visualização nela do resultado final da pintura. Com a fixação desta imagem do resultado final, esboçar os desenhos a serem feitos e refeitos, escolher os pincéis adequados, proceder na opção das cores que devem ser misturadas para trazer a fiel conjugação do matiz que se quer dar na expressão, estabelecer as perspectivas com todas as dimensões, enfim, proceder ao ato de criação, etapa por etapa, redefinindo, recomeçando, reconstruindo, re-arrumando, até chegar no desejado. Tal como o poeta que constrói cada poema, cada verso, substituindo palavras, reduzindo colocações para maior amplitude no sentido, encontrando a sonoridade perfeita, o ritmo ideal, a síntese adequada para transmitir de forma expressiva, com o mínimo de recursos fônicos efetuar a transmissão da mensagem real que se quer remeter ao leitor ou ouvinte.
A parte da criação, elaboração, confecção, definição e base real de tudo que se quer fazer, é a parte do planejamento.
Planejar é planear, fazer plano, projetar, conjeturar.
Por isso, planejamento significa o ato de projetar um trabalho, serviço ou complexo empreendimento.
O planejamento requer determinação de objetivos ou metas, coordenando meios e recursos para atingi-los.
Em virtude disso, quando se diz planejado ou planeado, entende-se que aquilo foi concebido, imaginado, projetado, idealizado, conjeturado.
Este planejamento projetado tem que se mostrar claro o que é que se quer fazer, a quem interessa, porque se quer fazer, como vai fazer e aonde se quer chegar com os resultados.

DISCIPLINA – A partir da definição do que se quer, ou seja, com uma idéia central ou nuclear em foco, devidamente justificada em sua razão de ser, identificando a quem vai interessar o que se quer, com o estabelecimento claro de todos os objetivos geral e específicos, com a firmação de todos os meios e recursos e se sabendo, afinal, aonde se quer chegar, vem-se, então, a fase de elaboração prática do que se pensou, a realização física do que foi idealizado.
Definir todos os recursos e meios é considerar o que é preciso para colocar em prática tudo que foi montado teoricamente, depois que se questionou o que quer fazer, a quem interessa, porque se quer fazer e aonde se quer chegar. É a hora de saber como fazer para destrinchar todas as questões estabelecidas. E esse como requer disciplinamento, método.
A palavra método envolve o sentido de conjunto dos meios dispostos convenientemente para alcançar um fim e especialmente para chegar a um conhecimento cientifico ou comunicá-lo aos outros.
Por conseguinte, método é um ordenamento ou sistematização que se segue no estudo ou no desenvolvimento de qualquer empreendimento ou ação desejada.
Desta feita, método é a maneira de fazer, o modo de proceder, o caminho, a forma sistemática e o processo pelo qual se estabelecem as normas e regras para dispor todos os meios e recursos com o objetivo de resolver o problema proposto pela idéia nuclear idealizada.
Daí se convencionar que o método é o conjunto de passos sistemáticos que levam a um objetivo determinado com antecipação.
Por conseqüência, metodologia quer dizer a arte de guiar o espírito na investigação da verdade. É a forma lógica de organizar o raciocínio. É saber o que se quer, porque se quer e pra quem serve, aonde se quer chegar e como chegar onde se quer.
Vê-se, portanto, que método requer disciplinamento. E disciplina quer dizer definir, comparar, investigar, avaliar, analisar, debater, re-avaliar, tudo isso seguindo passo a passo cada etapa na observância estrita das regras e normas estabelecidas segundo interpretações de certos e determinados princípios, tudo visando encontrar, preferencialmente, um diagnóstico com conseqüente prognóstico da realidade ou situação encontrada.

METODOLOGIA CIENTIFICA – Com base no que foi visto, metodologia é a arte de guiar o espírito na investigação da verdade. Ou seja, é definir o método. E ciência? Ciência, de forma geral, é conhecimento. Ou seja, ramo do conhecimento sistematizado como campo de estudo ou observação e classificação dos fatos atinentes a um determinado grupo de fenômenos e formulação das leis gerais que os regem. E a soma dos conhecimentos práticos que servem a um determinado fim.
Por isso, dar ciência é proceder ao conhecimento.
De forma mais aprofundada e com base na revisão da literatura, a ciência consiste no conjunto dos conhecimentos e saberes humanos baseados na exploração e na investigação da pesquisa, refletindo a inquietude na percepção e compreensão dos fenômenos que circundam o ser humano. Ela nasceu da busca pelo entendimento humano e pela capacidade de raciocínio e poder de observação sobre o universo, compreendendo na antiguidade mais remota a geometria, astronomia e física.
A primeira grande conquista científica foi, portanto, a constatação de que certos fenômenos se repetem. Ao perceber, o homem se viu na necessidade de compreender, imitar, superar e dominar a natureza. Daí foi que surgiram as primeiras inovações técnicas, determinando as tecnologias para uso, exploração e dominação da natureza.
A busca pelo saber comprovou a necessidade cada vez maior de conhecimentos, exigindo sua sistematização e taxionomia.
A primeira classificação da ciência foi dada por Aristóteles (384 a.C- 322 a.C): em primeiro lugar vieram as ciências teóricas, que são a física, a metafísica e a matemática; depois, as práticas, que são a lógica e a moral; e, por fim, as produtivas, que são a arte e a técnica.
Depois, o físico e filosofo francês, André-Marie Ampère (1775-1836), classificou as ciências como as cosmológicas e fisiológicas, que se dedicavam ao estudo da natureza; e as noológicas e sociais, que estudam os raciocínios abstratos e às relações dos seres humanos em sociedade.
A partir disso, deu-se a pluralidade de critérios nas classificações científicas, divididas nas várias áreas do conhecimento, objetivando a busca pela verdade e desvendar a realidade.
Foi na Grécia antiga que nasceu o método cientifico por meio da dialética, um método de busca e pesquisa da verdade formulando perguntas e respostas adequadas, possibilitando o surgimento da lógica.
Depois surgiram vários outros métodos, a exemplo do método hipotético-dedutivo do físico, matemático, astrônomo e filosofo italiano, Galileu Galilei (1564-1642), utilizando a matemática na comprovação empírica das hipóteses cientificas, obtendo-se, por resultado, uma lei geral que permita a compreensão dos fatos e previsão do comportamento futuro.
O filosofo inglês Francis Bacon (1561-1626) trouxe o método indutivo, segundo o qual as leis gerais que regem os fenômenos particulares podem ser estabelecidas a partir da observação e repetição das regularidades dos fenômenos particulares.
Tanto Galileu como Bacon apresentavam proposições que se sustentavam na aceitação da experiência como fonte primitiva do saber.
Foi quando o filósofo, físico e matemático francês, René Descartes (1596-1650) apresentou o raciocínio como mecanismo de estudo e os fenômenos naturais como fatos determinados e reconhecíveis a partir da observação. Ele introduziu a dúvida metódica que consiste em duvidar de tudo o que é dado pelos sentidos, e mesmo da matemática, o que leva à única certeza: a consciência de duvidar, que leva à consciência de existir. Essa evidência, expressa na frase "penso, logo existo", seria a única verdade inquestionável.
Vieram, então, os métodos inspirados nas doutrinas evolucionistas do sec. XIX e, em seguida, aqueles apoiados pelas teorias quânticas e relativistas do séc. XX, incorporando uma multiplicidade metodológica para interpretações que passaram a não mais apenas a se basear na carga lógico-matemática, adotando os princípios de axiomatização e enunciado dos problemas propostos pelos matemáticos alemães David Hilbert (1862-1943) e Kurt Godel (1906-1978).
Foi o filósofo austríaco naturalizado britânico Karl Popper (1902-1994) quem, ainda no sec. XX, nomeou a noção de falsificabilidade, distinguindo as matérias científicas e não-científicas, como critério dedutivo de validação das teorias científicas.
Fica claro, portanto, que foi o impulso dado pela Física que evidenciou uma série de descobertas realizadas para adoção de uma metodologia de estudo que evoluiu com o progresso da própria ciência.
Entre os métodos usuais estão o dedutivo, que consiste em propor um conjunto de postulados gerais, a partir dos quais se obtêm resultados aplicáveis a eventos de natureza mais restrita --ou seja, parte-se do geral para chegar ao particular.
O método indutivo, ao contrário, constrói modelos e leis a partir de casos particulares, pelo uso de mecanismos lógicos de generalização.
O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.
O método de procedimento é aquele que se constitui de etapas mais concretas da investigação, com finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos menos abstratos e pressupondo uma atitude concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular.
O enfoque analítico consiste em decompor o objeto em suas partes constituintes para formular problemas mais simples, ou seja, parte do complexo e mais geral para chegar ao simples e particular.
O método sintético procede de modo oposto: reúne aspectos particulares dispersos para obter resumos e associações de idéias, procedendo do simples para o complexo.
Outros processos que participam da metodologia científica são a definição rigorosa do objeto de estudo; os sistemas de classificação, com divisões e subdivisões; os instrumentos de medida e os sistemas de unidades; a variabilidade das condições que interferem sobre os fenômenos estudados; entre outros.
Já as metodologias contemporâneas evitam estabelecer axiomas excessivamente numerosos ou específicos, compartilhando do conjunto de princípios fundamentais na aceitação da experiência e não da idéia, como fonte de conhecimento primordial; da valorização da utilidade como fim último; e da construção de modelos, que, mais que explicar a realidade, procuram sistematizar o acervo das experiências humanas.
De modo geral, o processo de investigação é decomposto em grandes fases, tais como a delimitação teórico-conceitual, que corresponde à definição do problema em termos teóricos com seleção dos elementos explicativos disponíveis; a delimitação do objeto observado, que correspondente ao problema geral: trata-se de fixar os limites da realidade observada e de definir os dados alcançáveis e relevantes; da formulação de hipóteses relacionando a e b; da escolha de métodos e técnicas para obter os dados e verificar as hipóteses; da observação, experimentação, obtenção de dados, processamentos, etc.; e da verificação das hipóteses, formulação dos resultados e, eventualmente, substituição, alteração ou aprofundamento das explicações iniciais.
Em razão disso, encontra-se a tipologia de pesquisa de acordo com a escolha metodológica. Isto porque a pesquisa é o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos.
Assim, pesquisa é uma busca, uma procura. E aprofundando-se neste conceito diz-se que uma pesquisa é um conjunto de atividades que tem por objetivo a aquisição de novos conhecimentos. Por isso ela deve ser planejada, desenvolvida e redigida seguindo as regras determinadas por uma metodologia.
Assim, a pesquisa pode ser qualitativa quando traz a escolha de um assunto ou problema, uma coleta e análise das informações. As informações que se recolhem, geralmente, são interpretadas e isto pode originar a exigência de novas buscas de dados. Nesta pesquisa, existe pouco empenho por definir operacionalmente as variáveis. Elas são apenas descritas e seu número pode ser grande, ao contrário do que apresenta o enfoque quantitativo, preocupado com a medida delas e a verificação empírica das hipóteses.
Por isso, a pesquisa qualitativa tem fundamentação teórica, fenomenológica e pode usar recursos aleatórios para fixar a amostra. Isto é, procura uma espécie da representatividade do grupo maior dos sujeitos que participarão do estudo. Porém, não é, em geral, preocupação dela a quantificação da amostragem. E, ao invés da aleatoriedade, decide intencionalmente, considerando uma série de condições (sujeitos que sejam essenciais segundo o ponto de vista do investigador, para o esclarecimento do assunto em foco; facilidade para se encontrar com as pessoas; tempo dos indivíduos para as entrevistas,etc.), o tamanho da amostra.
O pesquisador orientado pelo enfoque qualitativo tem ampla liberdade teórico-metodológica para realizar seu estudo. Assim, este tipo de pesquisa é aquele em que o investigador usa primariamente alegações pós-positivas para desenvolvimento do conhecimento.
A pesquisa pode ser quantitativa quando há levantamento, quantificação e mensuração de resultados, visando avaliar quantidades; e qualitativa quando busca descrever e aprofundar o conhecimento de uma população ou de um fenômeno, sem a comparação de dados.
Os dados quantitativos são produzidos pelas instituições econômicas, administrativas ou outras, e a captação e o processamento remetem a instrumentos estatísticos. É, então, aquela em que o investigador sempre faz alegações de conhecimento com base principalmente ou em perspectivas construtivistas ou em perspectivas reivindicatórias/participatórias ou em ambas, utilizando estratégias de investigação como narrativas, fenomenologias, etnografias, estudos baseados em teorias ou estudos de teoria embasada na realidade.
A pesquisa com métodos mistos é aquela que incorpora e se concentra na coleta e analise de dados quantitativos como qualitativos em um único estudo. Neste caso, o pesquisador tende a basear suas alegações de conhecimento em elementos pragmáticos, empregando estratégias que envolvem coleta de dados simultânea ou seqüencial para melhor entender o problema da pesquisa.
A pesquisa experimental está interessada em verificar a relação de causualidade que se estabelece entre variáveis, isto é, em saber se a variável X (independente) determina a variável Y (dependente). E, para isto, cria uma situação de controle rigoroso, procurando evitar que, nela, estejam presentes influências alheias à verificação do que se deseja fazer. Estuda, portanto, a relação entre fenômenos procurando saber se um é causa do outro.
A pesquisa descritiva expõe características de determinada população.
A pesquisa metodológica é aquela para realização do estudo que se refere aos instrumentos de captação ou de manipulação da realidade, os caminhos, formas ou maneiras.
A pesquisa aplicada é fundamentalmente motivada pela necessidade de resolver problemas concretos mais imediatos.
A pesquisa bibliográfica consiste no exame do manancial conceitual, para levantamento e análise do que já se produziu sobre determinado assunto que se assumiu como tema de pesquisa científica.
A pesquisa de campo é a observação com acuidade de um fenômeno ou objeto motivo do projeto de pesquisa. Consiste no exame atento dos fatos exatamente como eles ocorrem, na coleta de dados e nos seus registros de variáveis presumivelmente relevantes para posteriores análises. Este tipo de pesquisa permite estabelecer relações constantes entre determinadas condições (variáveis independentes: diversas condições antecedentes tomadas como relevantes para a ocorrência de determinado evento, é uma suposta causa) e determinados eventos (variáveis dependentes: fato, efeito, evento produzido pela presença ou ausência das variáveis independentes, é o efeito), que estão sendo observados e que serão comprovados ou refutados. Assim como a pesquisa bibliográfica, esta também não é experimental, são de simples observação controlada, pois o pesquisador não manipula as variáveis, não as isola, não provoca nenhum evento, mas observa e registra. Assim, a pesquisa de campo é a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo.
A pesquisa de laboratório é experimental, ou seja, permite que o pesquisador manipule suas variáveis, isole-as ou provoque eventos passíveis de controle. Ele manipula as variáveis e controla uma a uma, tanto quanto possível, com o objetivo de determinar qual ou quais delas são a causa necessária e suficiente ao evento em estudo. Ela envolve três etapas: a observação (o fenômeno é observado e desenvolve-se a curiosidade em relação a ele); a hipótese (são suposições que se fazem na tentativa de explicar o que se desconhece); a experimentação (provoca-se o mesmo fenômeno várias vezes, registrando todas as possíveis situações de ocorrência e resultado relacionado a ele – medições); e a indução (a indução é o raciocínio que se serve de indícios para chegar a uma causa, parte-se do particular para se chegar ao geral, parte de dados particulares e constatados e infere-se uma verdade geral ou universal).
A pesquisa participante não se esgota na figura do pesquisador, envolvendo outras pessoas, condições e formas de investigações.
A pesquisa-ação é um tipo particular de pesquisa participante que supõe intervenção participativa na realidade social.
Dentro desse universo de múltiplas metodologias, o que se quer deixar claro é que o objetivo primordial da ciência é a aproximação do homem aos fenômenos naturais e humanos por meio da compreensão e do domínio dos mecanismos que os regem. Isto porque, ao efetuar a analise de um fato, o conhecimento científico procura explicá-lo e descobrir as suas relações com os outros fatos, estabelecendo que para se chegar a síntese é imprescindível que realize a análise. E o conhecimento cientifico recorre aos métodos para a descoberta dos erros e, por meio desses erros, encontrar a exatidão e a clareza, verificando-se, portanto, pela experiência e pela demonstração.
Em razão disso, encontra-se o conceito de que a metodologia científica é o estudo sistemático e lógico dos métodos empregados nas ciências, seus fundamentos, sua validade e sua relação com as teorias científicas.
Em geral, o método científico compreende basicamente um conjunto de dados iniciais e um sistema de operações ordenadas adequado para a formulação de conclusões, de acordo com certos objetivos predeterminados. Este é o método que consiste no processo racional para chegar e demonstrar um determinado fim, ou seja, conhecimento ou demonstração da verdade.

PROJETO DE PESQUISA – No trabalho acadêmico a primeira coisa que deve ser identificada é o tema.
O tema é o que se quer investigar, discutir, apresentar.
Neste caso, o tema é a resposta a pergunta o que é.
Quando se pensa na elaboração de um tema, é importante que se saiba ou se tenha em mente quais são os antecedentes e as conseqüências dele.
O tema ideal é aquele em que se pode deixar bem definidas as causas e efeitos, para que se possa apresentar uma sugestão, um resultado, prevenção ou solução.
Tendo-se o tema definido é preciso apresentá-lo. E a apresentação do tema é exatamente descrever as causas e efeitos advindos dele, delimitando o que se quer dizer e aonde se quer chegar. É responder o que é que ele significa com todas as suas implicações e peculiaridades.
Desta forma, apresentar é responder o que é que se quer dizer com o tema escolhido.
Após apresentar o tema, é preciso justificá-lo. E justificar é demonstrar a boa razão do seu procedimento, provar e deixar clara as suas intenções na resposta da questão do por que tratar o tema escolhido, fazer ou estudar o tema proposto, incluindo os pontos positivos e negativos de se abordar tal tema, a quem interessa e qual a importância advinda da sua escolha temática.
Ao justificar claramente o que se quer, passa-se à definição e ao elenco dos objetivos. E objetivo é a meta que se quer atingir. Ou seja, responder aonde se quer chegar.
Para tanto, é preciso definir um objetivo geral que responda a amplitude do que se quer dizer com a proposta temática.
Definido, assim, o objetivo geral, procede-se ao elenco dos objetivos específicos que devem expressar as perspectivas de alcance para se chegar ao objetivo geral. Exemplo: O tema é “fazer feira”. O objetivo geral é chegar no supermercado e efetuar as compras necessárias para a sobrevivência. Os objetivos específicos devem identificar de que forma se alcança o objetivo geral. Ou seja, é definir quanto se tem em dinheiro para comprar, é efetuar uma lista do que deve ser comprado dentro do dinheiro disponível, quanto tempo vai gastar fazendo as compras, as ruas que terá de percorrer até chegar no supermercado, pegar o carrinho, observar as promoções e os produtos expostos nas gôndolas, dirigir-se ao caixa para passar os produtos adquiridos e efetuar o pagamento respectivo, se encaminhar para o estacionamento, retornar para o lar, depositar os produtos adquiridos nas prateleiras e compartimentos adequados, tudo isso para que no final seja identificada a satisfação ou não do que foi adquirido.
Depois de apresentar o tema, a justificativa e definido os objetivos geral e específicos, passa-se ao referencial teórico que é onde se vai expressar as idéias básicas temáticas, o que se sabe previamente acerca do tema com conceitos e definições, as causas e os efeitos temáticos, as conseqüências advindas dessas causas e efeitos, enfim, deixando claro o que se quer investigar, analisar, tratar, comparar e sugerir de prognóstico dentro do diagnóstico encontrado.
Em seguida é preciso definir a metodologia a ser aplicada no estudo. É quando se deixa claro qual o universo que compreende o tema, a dimensão, o público-alvo, quais os envolvidos, de que forma proceder a investigação, o que usar para identificar os fatores, atores, universo, dimensão e amplitude; qual a maneira a ser utilizada para analisar, comparar, tratar, discutir e avaliar para chegar aos resultados; enfim, definir todos os procedimentos adequados para exploração do problema temático em toda a sua universal expressão.
Feito tudo isso, é preciso definir todas as tarefas para as etapas de trabalho. É a hora de confeccionar um cronograma e nele especificar a data exata do inicio das atividades, a escolha do tema, a elaboração do projeto de pesquisa, as consultas bibliográficas e orientadoras, a confecção final do projeto de pesquisa, a entrada no campo do plano de ação, a aplicação de questionários, a realização de entrevistas, o levantamento dos dados, o seu tratamento e análise; a confecção preliminar dos resultados encontrados; as discussões; a elaboração preliminar do resultado para ser submetido ao orientador; a realização das adequações e correções sugeridas pelo orientador; a elaboração da versão final com as adequações e correções sugeridas; a entrega da versão final para o orientador fazer considerações; a elaboração da versão definitiva; a entrega da versão definitiva para apreciação da banca examinadora; a apresentação ou defesa pública do trabalho perante a banca examinadora; e o encerramento das atividades. Tudo definido em datas e prazos determinados e a serem cumpridos rigorosamente.
Por fim, deve-se fazer o elenco das referências bibliográficas utilizadas tanto no referencial teórico como também as que forem necessárias para a base intelectual das outras seções do projeto de pesquisa, como as que forem citadas na justificativa, na apresentação e na metodologia.
Elaborado o projeto de pesquisa, mãos à obra para a coleta de material necessário e para a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC.

FAÇA SEU TCC SEM TRAUMAS –Realizadas todas as etapas que foram definidas no projeto de pesquisa, é chegada a hora da confecção do TCC.
O trabalho de conclusão de curso exige a confecção de uma monografia que é uma técnica criada pelo economista francês Pierre-Guillaume-Frédéric Le Play (1806-1882), como sendo o primeiro passo da atividade cientifica do pesquisador.
A monografia possui características fundamentais como a de ser um trabalho escrito, sistemático e completo; possuir um tema especifico ou particular de uma ciência ou parte dela; ser um estudo pormenorizado e exaustivo abordando vários aspectos e ângulos do casos; ter um tratamento em extenso em profundidade, mas não em alcance (nesse caso é limitado); possuir uma metodologia cientifica; e apresentar uma contribuição importantes, original e pessoal para ciência.
A monografia é construída a partir do tema que formula um problema de estudo e que norteará como princípio básico de um processo de investigação, no sentido de levantamento, explicação e esclarecimento por parte do pesquisador ao final do trabalho.
Com o problema vem a hipótese que é a relação entre uma ou mais variáveis.
Daí, parte-se para a revisão bibliográfica que embasará o estudo no desenvolvimento do trabalho.
Em seguida ocorre a amostragem que compreenderá o levantamento e análise dos dados, os instrumentos utilizados que dependem do tipo de pesquisa, como é o caso do questionário, entrevista, formulário, teste e observação.
Por conseqüência, deve-se, portanto, procurar o diagnóstico encontrado e definido dentro das expectativas metodológicas. Encontrada a realidade, passa-se para a elaboração do prognóstico acerca dos resultados obtidos.
Com este procedimento, observando-se as causas e efeitos que levaram a definição do diagnóstico e à elaboração dos prognósticos, tem-se a disposição de se efetuar a redação do trabalho.
A redação inicial se baseia nos antecedentes e conseqüências dos resultados encontrados na realidade estudada.
Tendo-se por base esses antecedentes e conseqüências, dá-se inicio à revisão da literatura que compreende uma abordagem de natureza histórica e de fundamentação conceitual.
Efetuada a revisão da literatura, passa-se à abordagem da questão nuclear do problema temático. Com isso deixa-se claro a totalidade dos antecedentes e conseqüências da proposta temática, partindo para a apresentação de sugestões sobre os resultados encontrados ou a sua solução.
Até aqui, tem-se no desenvolvimento três eixos de exploração e exposição: os antecedentes, as conseqüências e a solução ou resultados.
Depois do desenvolvimento que é dividido em capítulos que compreendem a revisão da literatura, a análise nuclear do problema e as conseqüências da realidade encontrada, é chegada a hora de tecer as considerações conclusivas que devem conter os resultados ou soluções encontradas, as respostas requeridas pelos objetivos geral e específicos, as limitações de estudos e as propostas para futuros estudos.
Assim, a conclusão deve ser breve, exata, concisa, lógica, clara, que deve ser fundamentada nos resultados e na abordagem auferida ao longo dos estudos e reafirmar sinteticamente a idéia principal com os pormenores mais importantes já colocados no corpo do desenvolvimento.
Findada a conclusão, realiza-se o elenco em ordem alfabética das fontes bibliográficas primárias (aquelas que serviram de base para o estudo e foram citadas no corpo do trabalho) e secundárias (aquelas que foram indispensáveis e imprescindíveis para a evolução dos estudos e as descobertas investigativas, mas não foram necessariamente mencionadas no corpo do trabalho), obedecendo aos critérios propostos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
Reunindo todo aparato do trabalho efetuado, como o desenvolvimento escrito da pesquisa, as considerações conclusivas e o rol das referências bibliográficas, dá-se a ocorrência dos elementos pós-textuais, colocando-se em anexo o material que foi utilizado pela definição metodológica, tais como documentos, questionários, fotografias, entrevistas, dados suplementares que serviram de base, entre outros.
É partir deste momento que se elabora a Introdução do trabalho, reunindo parte do material definido no projeto de pesquisa, tais como apresentação do tema, justificativa de estudo, objetivos propostos e metodologia aplicada, bem como a discriminação nominal de cada parte do desenvolvimento redigido. Em suma, ela é composta de uma apresentação introdutória que fornecerá ao leitor a idéia do que será tratado no referido trabalho.
Feito isso, dá-se a hora da elaboração dos elementos pré-textuais, como capa, folha de rosto, página de aprovação, com a feitura do Resumo de tudo que foi feito, com a sua devida tradução em língua estrangeira (Abstract) e a confecção do Sumário, bem como da relação das figuras, quadros, tabelas e gráficos utilizados no desenvolvimento do trabalho redigido.
Após a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC este deve ser submetido a apreciação do Orientador que fará observações, tecerá considerações e sugerirá adequações para a elaboração da versão definitiva do trabalho.
Com a confecção da versão definitiva do trabalho, este é apresentado e submetido a apreciação da banca examinadora.
Estes são, portanto, os passos, particularidades, exigências e funcionalidade do Trabalho de Conclusão de Curso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ACEVEDO, C. R.; NOHARA, J. J. Monografia no curso de administração: guia completo de conteúdo e forma. São Paulo: Atlas, 2004.
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